segunda-feira, 30 de março de 2015

Câmara de Almenara divulga a verdade sobre a liberação da ponte

Via: Diário do Jequí

  •  30/03/2015
  •  
  •  
  • A data da possível liberação será o dia 15 de maio

     A Câmara Municipal de Almenara, representada pelo seu Presidente, Vereador Geraldo Antônio Tadeu Fonseca, Dino Fonseca, vem, publicamente, com documentação oficial, divulgar a verdadeira data de liberação da ponte sobre o rio Jequitinhonha. O dia 15 de maio de 2015 é a data oficial que o DER/MG deve entregar as obras de recuperação da ponte, conforme documentação anexa e pormenorizada de todos os procedimentos adotados.
    Em atenção à solicitação do Ministério Público da 1ª Promotoria de Justiça da Comarca de Almenara, o Sr. João Viana da Costa, Procurador-Chefe do DER-MG, Procurador do Estado de Minas Gerais, encaminhou, através do Ofício 14/2015, datado de 03 de fevereiro de 2015, prestou esclarecimentos  a respeito das ações que  o Departamento de Estradas de Rodagem de MG tomaria em relação à interdição da ponte sobre o rio Jequitinhonha, em Almenara.  Na Comunicação Interna nº 008/2015, datada de 29 de janeiro de 2015, destinada à Procuradoria do Estado, o Sr. Célio Dantas de Brito (Diretor-Geral do DER/MG) fez minucioso relatório sobre os procedimentos adotados para os trabalhos de recuperação da  ponte.  (ANEXO).
    No dia 13 de janeiro de 2015, o DER/MG destacou, em documento anexo, em relação aos trabalhos a serem realizados na ponte, o período de atividade, qual seja de 14 de fevereiro de 2015 a 15 de maio de 2015. Ainda no documento, o DER/MG faz uma pormenorizada relação sequencial de serviços emergenciais para a recuperação do pilar recalcado na obra em pauta, que visa a liberação para o tráfego de veículos, mais o cronograma de trabalho. (Documento anexo  1 e 2).
    Em anexo a essas informações a Câmara Municipal de Almenara divulga outros documentos pertinentes ao acontecimento fatídico de 10 de janeiro de 2015, quando duas carretas bi-trem carregadas de grandes blocos de rocha causou um abalo na estrutura da ponte e recalque vertical de cerca de 10 cm na região da junta de dilatação. 
    Documentos:   2   3   4   5       8   9

    Lula comanda encontro do PT para driblar crise


    Amália Goulart
    Amália Goulart
    amaliagoulart@hojeemdia.com.br

    30/03/2015

    O PT convocou a Executiva Nacional e todos os diretórios regionais para discutirem medidas de combate à crise política, instalada no governo e no próprio partido, e estratégias para lidar com a mídia. Entre os temas polêmicos ainda está a permanência do tesoureiro da legenda, João Vaccari, no cargo.
    Em meio à operação “Lava-Jato” – em que Vaccari é citado – petistas querem criar uma agenda positiva para sair do espantar as crises (política e econômica). Há quem defenda uma ofensiva contra a oposição. Seria uma forma de “colocar todo mundo num mesmo barco e tirar a atenção do Vaccari”, conforme uma liderança do partido.
    O encontro acontece nesta segunda, a partir das 15h, em um hotel em São Paulo. Obviamente, todos serão regidos pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Também será discutida nesta reunião as manifestações favoráveis ao governo da presidente Dilma Rousseff (PT). O partido quer fazer um contraponto aos protestos, contrários ao governo, que estão por vir.
    Crise
    Por falar em legendas, os partidos políticos encabeçam estudo da Fundação Getúlio Vargas sobre a confiança do brasileiro em instituições. As agremiações lideram o ranking das menos confiáveis, com 6%. Quem acompanha o noticiário sabe o motivo.
    As Forças Armadas estão na outra ponta, como a mais respeitada (68%). A Igreja Católica foi apontada por 59% dos entrevistados.
    A Fundação Getúlio Vargas perguntou a 3.300 pessoas de oito estados se confiava na instituição apontada. Por isso, a soma da mais de 100%.
    O Ministério Público, i instituição que mandou empreiteiros para cadeia, foi apontado por 50% dos entrevistados como confiável. O Judiciário obteve o percentual de 29%. A pesquisa é feita desde 2009.
    Alívio
    Em meio à crise financeira, o governo mineiro obteve uma importante vitória no Superior Tribunal de Justiça. Venceu ação contra a TAM Linhas Aéreas que cobrava do Estado a devolução de R$ 157,8 milhões (valor corrigido).
    O montante diz respeito ao ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) pago pela companhia no período que vai de maio de 1984 a junho de 1994.
    A complexa ação sustenta que a empresa não poderia repassar o custo do tributo aos clientes pois, naquela época, os preços eram controlados pelo governo, especificamente pelo Departamento de Aviação Civil. A ação transitou em julgado.
    Escolas
    Passando ao largo da operação “Lava-Jato”, a Odebrecht Infraestrutura, um braço da grande empreiteira envolvida no escândalo, inaugurou, no fim de semana, uma das 51 escolas que construirá em Belo Horizonte. As unidades são projetadas para evitar desperdícios.

    Detran determina datas para veículos circularem com documentação 2015

    30/03/2015 16:29 - Atualizado em 30/03/2015 16:29


    Hoje em Dia




    Frederico Haikal/Arquivo Hoje em Dia
    Quase metade dos donos de veículos deve taxas ao Detran
    Veículos sem a documentação em dia podem ser apreendidos e levados para o pátio do Detran

    Até 30 de junho todos os motoristas, com placa com final 1,2 e 3, ainda podem usar o Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo (CRLV) 2014. A partir desta data, os condutores deverão usar o documento 2015. A regra foi publicada nesta segunda-feira (30), pelo Departamento de Trânsito de Minas Gerais (Detran/MG).  A exigência varia de acordo com o final da placa.
     
    Para os veículos de placa com final 4,5 e 6, o prazo máximo é até 31 de julho. Já para o restante das placas, a data limite é 31 de agosto.
     
    Após o vencimento dos prazos, o motorista que for flagrado dirigindo um veículo não licenciado recebe multa grave, no valor de R$ 191,54, além da perda de 7 pontos na carteira e a remoção do veículo.
     
    O veículo só é considerado licenciado após a quitação de todos os débitos de tributos (IPVA, DPVAT e Taxa de Licenciamento), encargos e multas, em acordo com normas estipuladas pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB). O CRLV do ano em exercício é o documento que comprova isso não sendo necessário nenhum comprovante de pagamento de impostos ou multas.
     
    Segundo Dados do Detran de Minas Gerais, a frota do estado é de 8,4 milhões de veículos. Hoje, cerca de 6,4 milhões, 68,5% tem algum tipo de pendência. O prazo para pagamento da taxa de licenciamento vence amanhã. Os prazos para pagamento do IPVA terminaram na última sexta-feira, 27/03. O DPVAT deve ter sido pago na primeira parcela do IPVA ou pagamento em cota única. 
     
    Quem está em atraso com estes tributos ainda pode fazer o pagamento nas redes bancárias credenciadas. No caso de multas e outros débitos, o condutor deve acessar o  site www.detran.mg.gov.br, checar o débito constante e imprimir extrato e quitar o débito.  O proprietário pode ainda ligar para a Central de Atendimento do Departamento pelo número 155, para obter informações sobre a situação do veículo ou procurar o serviço nas unidades de autoatendimento.
     
    Emissão do CRLV
     
    Quando a situação do veículo está regularizada, o CRLV anual é enviado pelos Correios, com Aviso de Recebimento (AR). O site www.correios.com.br disponibiliza a informação de entrega. Após a terceira tentativa, o documento é encaminhado para as Unidades de Atendimento Integrado (UAI). Nas demais cidades, o documento fica disponível ao proprietário do veículo nas Delegacias de Trânsito.

    Estudante tem que atingir média mínima no Enem para ter acesso ao Fies

    30/03/2015 15:53 - Atualizado em 30/03/2015 15:53


    Agência Brasil






    Divulgação/Ifsc.edu.br
    Enem

    A partir desta segunda-feira (30), o estudante que tiver média inferior a 450 pontos nas provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) não poderá se inscrever para uma bolsa do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Além da média mínima, o candidato não pode ter nota zero na redação. As inscrições vão até o dia 30 de abril.

    Em fevereiro, foram abertas as inscrições para novas adesões ao Fies, mas sem a obrigatoriedade da nota mínima. Era preciso apenas ter feito o Enem para solicitar o financiamento. Não estão sujeitos a essa regra os professores do quadro permanente da rede pública matriculados em cursos de licenciatura, normal superior ou pedagogia.

    A regra de exigir a média mínima no Enem foi estabelecida em portaria do Ministério da Educação, publicada em dezembro de 2014, e gerou descontentamento de estudantes e representantes de instituições privadas de ensino superior. Instituições estimam que a mudança reduzirá em pelo menos 20% o número de contratos do Fies.

    A estudante Kamila Monteiro, de 18 anos, obteve média de 426 pontos no Enem e conseguiu o contrato do Fies antes da aplicação da nova regra. Ela avalia que os estudantes de escola pública como ela serão prejudicados com a mudança.

    “Dizem que é para melhorar a qualidade do ensino, mas quem está em escola pública tem dificuldade para fazer a prova do Enem. Então, é preciso começar melhorando a qualidade do ensino médio e não dificultar a entrada no ensino superior”, diz Kamila, que vai cursar psicologia em uma instituição de São Paulo.

    O Ministério da Educação descarta a possibilidade de abrir mão da exigência. Segundo a pasta, a mudança foi feita em prol da qualidade do ensino superior e o diálogo com as entidades é permanente.

    O Fies financia de 50% a 100% das mensalidades, dependendo da renda familiar mensal bruta. É destinado a alunos matriculados em cursos superiores presenciais não gratuitos, oferecidos por instituições cadastradas no programa e que tenham obtido resultados positivos nas avaliações do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior.

    Entre as mudanças feitas pelo ministério no Fies estão também a alteração de 12 para oito no número de parcelas de repasse de recursos para as instituições privadas e percentual máximo de reajuste para mensalidades no caso de aditamentos de contratos.

    domingo, 29 de março de 2015

    Uma história sobre Gandhi

    foto de Renato Amisy Pereira. Facebook
    Quando Gandhi estudava Direito na Universidade de Londres tinha um professor chamado Peters, que não gostava dele, mas Gandhi não baixava a cabeça.
    Um dia o prof. estava comendo no refeitório e sentaram-se juntos.
    O prof. disse:
    - Sr. Gandhi, você sabe que um porco e um pássaro não comem juntos?
    Ok, Prof..... Já estou voando...... e foi para outra mesa.
    O prof. aborrecido resolve vingar-se no exame seguinte, mas ele responde, brilhantemente, todas as perguntas.
    Então resolve fazer a seguinte pergunta:
    - Sr. Gandhi,
    indo o Sr. por uma rua e encontrando uma bolsa, abre-a e encontra a Sabedoria e um pacote com muito dinheiro.
    Com qual deles ficava?
    Gandhi respondeu....
    - Claro que com o dinheiro, Prof.!
    - Ah! Pois eu no seu lugar Gandhi, ficaria com a sabedoria.
    - Tem razão prof, cada um ficaria com o que não tem!
    O prof. furioso escreveu na prova "IDIOTA" e lhe entregou.
    Gandhi recebeu a prova, leu e voltou:
    E disse...
    - Prof. o Sr. assinou a prova, mas não deu a nota!
    Moral da historia.
    Semeie a Paz, Amor, compreensão. Mas trate com firmeza quem te trata com desprezo. Ser gentil não é ser capacho, nem saco de pancadas...
    Gostei, por isso compartilho!

    PDT e PSB articulam para tirar quatro senadores do PT

    MARCELO SPERANDIO

    29/03/2015 15h39

    O senador Paulo Paim (PT-RS) (Foto: Moreira Mariz/Agência Senado)
    Dois tradicionais partidos de esquerda brasileiros aproveitam o desgaste do PT para tentar roubar importantes políticos petistas. De uma só vez, o PDT e o PSB assediam quatro senadores do PT. Os pedetistas abriram negociações com Walter Pinheiro, da Bahia, e Paulo Paim, do Rio Grande do Sul. O presidente do PDT, Carlos Lupi, também conversa com Delcídio do Amaral, do Mato Grosso do Sul, que tem resistido à proposta de deixar o PT. Já os dirigentes do PSB estão animados com a possibilidade de anunciar, em maio, a filiação de Marta Suplicy, de São Paulo. Essas transferências, se forem confirmadas, mudarão a correlação de forças entre governo e oposição no Senado. Nesse caso, o número de senadores petistas cairia de 14 para 10 e o PT, partido da presidente Dilma Rousseff, deixaria de ser a segunda bancada da Casa para ser a terceira. Enquanto o PSDB, que tem 11 senadores e é o principal representante da oposição, deixaria de ser a terceira para ser a segundo legenda com maior número de parlamentares no Senado. O PMDB continuaria à frente das bancadas, com 18 senadores.

    Depois da internet, a política nunca mais será a mesma

    As manifestações de 15 de março mostram como as redes sociais ajudaram os cidadãos a ganhar maior protagonismo e influência na política

    BRUNO FERRARI E THAIS LAZZERI COM ARIANE FREITAS, IGOR UTSUMI, LEOPOLDO MATEUS E LÍVIA CUNTO SALLES
    29/03/2015 10h00 - Atualizado em 29/03/2015 10h13


    MOBILIZAÇÃO Manifestantes na Avenida Paulista, em São Paulo. O protesto reuniu cerca de 1 milhão de pessoas, segundo a PM (Foto: Bruno Fernandes / Fotoarena)
    AGITADOR DIGITAL O empresário Rogerio Chequer, do Vem pra Rua, em São Paulo. O movimento atraiu 367 mil seguidores no Facebook (Foto: Camila Fontana/ÉPOCA)
    A mobilização do último dia 15 de março, que levou 2,3 milhões de brasileiros às ruas em protestos contra a corrupção e contra o governo Dilma Rousseff, começou com o toque de um celular. No início do ano, um dos quatro aparelhos usados pelo administrador de empresas Marcello Reis, de 40 anos, de São Paulo, registrou a chegada de uma mensagem via WhatsApp, o mais popular aplicativo de troca de mensagens gratuitas do Brasil. A mensagem convocava para manifestações contra a falta de água em São Paulo, o reajuste de 50 centavos na tarifa de ônibus da cidade e contra a corrupção. O mesmo torpedo irrompeu na tela do smartphone do empresário Rogerio Chequer, de 46 anos, sócio de uma agência de comunicação em São Paulo. A origem da mensagem é controversa. Segundo Reis, quem disparou a convocação para a mobilização foi o Movimento Passe Livre (MPL). Seria irônico, pois o MPL também foi protagonista das manifestações de junho de 2013 – mas o MPL, ouvido por ÉPOCA, negou a autoria do viral.
    Sobre o que aconteceu a partir dali, não há dúvidas e vai virar história. Marcello Reis, um dos organizadores do Revoltados On Line, movimento que tem 739 mil seguidores no Facebook e agita a bandeira do impeachment da presidente Dilma Rousseff, gravou um vídeo com uma convocação para a mobilização no dia 15. Chequer, um dos coordenadores do Vem pra Rua – movimento anticorrupção criado na internet em novembro de 2014, que atraiu 367 mil seguidores com seus apelos “aos indignados com a nossa classe política” –, também aderiu. Usaram tablets, smartphones e computadores para espalhar a chamada às ruas. A mobilização cresceu em nível nacional, com o engajamento de cidadãos descontentes e outros pequenos movimentos de caráter local, como o Cariocas Direitos, liderado pelo engenheiro Denis de Abreu, de 37 anos, ex-líder estudantil e ex-integrante do PMDB. Em pouco tempo, ergueu-se uma onda gigantesca que ultrapassou as fronteiras da bolha virtual e encheu as ruas naquel domingo. “O desrespeito ao povo brasileiro é nosso maior fator de engajamento”, diz Chequer, do Vem pra Rua. “E que melhor ferramenta para alcançar mais gente do que a internet?”
    Mais conectados e mais engajados  (Foto: época )
    Ele tem razão. Arregimentar milhões de pessoas num prazo tão curto era  impossível nos tempos dos megafones e caminhões de som. Na era das redes sociais, no entanto, um mero clique de compartilhamento de uma mensagem ou de um vídeo pode ser um gatilho para reunir uma multidão em torno de uma causa. Basta que as mensagens tenham o conteúdo e o tom corretos para engajar emocionalmente seus destinatários e sejam distribuídas pelos canais adequados para alcançar o maior número de cidadãos. “As redes sociais têm o poder de construir uma tensão emocional entre pessoas espalhadas por vários bairros e cidades”, diz  o italiano Paolo Gerbaudo, professor de cultura digital e sociedade do King’s College, de Londres, e autor do livro Tweets and the streets (Tuítes e as ruas, na tradução em português). “Elas podem criar um senso contagioso de antecipação ou de ímpeto.” Segundo Gerbaudo, isso se deve a uma característica das redes sociais. Elas permitem conversas abertas ao público, ao mesmo tempo que são canais para criar uma intimidade entre os mais diversos interlocutores.
    Vive-se um segundo momento do uso das redes sociais na política. Acabou a era dos “manifestantes de sofá”, que se limitavam a criar grupos de protestos e a assinar petições on-line. Elas servem, agora, como ferramenta para levar gente para a rua. E, com isso, influenciam a agenda dos governantes. Depois das manifestações de 15 de março, a presidente Dilma Rousseff anunciou um pacote anticorrupção para mostrar que ouvira a voz das ruas. A combinação entre internet e as ruas é explosiva, mas ela não substitui as instituições próprias da democracia. Passeatas não mudam leis, não derrubam governos, não promovem mudanças radicais. Quem faz isso são os representantes eleitos pelo povo. A política nunca mais será a mesma porque, para esses representantes, não é mais possível ignorar a voz das ruas. No Brasil, o primeiro capítulo dessa nova tendência ocorreu em junho de 2013. O segundo foi agora, com a reunião de 2,3 milhões de pessoas em várias cidades brasileiras em 15 de março. É tanta a facilidade para convocar gente via redes sociais que seria ingenuidade dizer que vai parar por aí. Já existe outra manifestação convocada para o dia 12 de abril, pelo Movimento Brasil Livre, um dos responsáveis pela organização do 15 de março.
    >> O pacote anticorrupção proposto por Dilma Rousseff

    O marco inicial do casamento entre ruas e redes foi a Revolução Verde, que ocorreu no Irã em 2009. Na ocasião, com os meios de comunicação sob vigilância e após denúncias de manipulação das eleições na vitória do presidente Mahmoud Ahmadinejad, os iranianos usaram o Twitter e outras redes sociais para convocar manifestações que abalaram o regime teocrático dos mulás. Os militantes políticos descobriram, assim, um primeiro uso das redes sociais: burlar a censura. Um segundo momento ocorreu nos protestos contra o presidenteHosni Mubarak em janeiro de 2011. Redes sociais livres de monitoramento ajudaram na convocação dos manifestantes, que chegaram a 2 milhões. Elas também foram fundamentais para divulgar o movimento no mundo, especialmente nos países muçulmanos – desencadeando o que ficou conhecido como Primavera Árabe. As manifestações de junho de 2013 no Brasil foram igualmente desencadeadas pelas redes sociais. Entidades como o Movimento  Passe Livre, o MPL, usaram o Facebook para capitalizar o descontentamento da população com a violência policial que marcou uma das primeiras manifestações – na qual jornalistas chegaram a ser feridos com balas de borracha. Por fim, as passeatas de 15 de março consagraram o WhatsApp como ferramenta para arregimentar manifestantes.
     
    PRIMEIRO CAPÍTULO Protestos em  São Paulo em junho de 2013. Reivindicação por melhores serviços   (Foto: Mauricio Lima/The New York Times)
    As manifestações se beneficiaram do aumento exponencial, no Brasil, do acesso a tecnologias digitais. Os brasileiros donos de smartphones eram pouco mais de 30 milhões durante as jornadas de junho de 2013. Hoje, segundo dados do Ibope, são 58,6 milhões. O aplicativo WhatsApp mais que dobrou sua base de usuários no país e se popularizou como “zap zap”. O último dado oficial, divulgado em meados de 2014, dizia que, dos 468 milhões de usuários do WhatsApp no mundo, 38 milhões estavam no Brasil. Hoje, segundo estimativas não oficiais (o WhatsApp não informa mais os dados), são mais de 50 milhões de brasileiros trocando mensagens, fotos e vídeos pelo aplicativo. Junto com a evolução da qualidade das câmeras dos celulares, isso gerou também um fenômeno comportamental: a onda do selfie. Selfie sozinho, em família ou com o pau de selfie. E, agora, selfie em manifestações. O recurso foi muito usado nas passeatas do último dia 15 – em que muitos fizeram questão de mostrar a si próprios em meio a policiais que escoltavam pacificamente os manifestantes. Isso acaba tendo um efeito multiplicador. Primeiro, as redes sociais convocam os manifestantes. Depois, por meio dos selfies, os manifestantes que estão na rua estimulam a participação de mais e mais manifestantes.
    “Os usuários descobriram que podem influenciar politicamente com seu pronunciamento público”, diz Carlos H. Moreira Jr., diretor de desenvolvimento de mercados do Twitter para a América Latina. “Isso é uma mudança de comportamento.” Na linguagem dos acadêmicos, esse processo é descrito como o “empoderamento do cidadão”. Na prática, ele se traduz na preferência por alguns termos ou palavras de ordem. ÉPOCA teve acesso a uma análise exclusiva realizada pelo Twitter em parceria com o Ibope, que acompanhou 609 mil tuítes do dia 1º de março até o início do dia 15. O objetivo era entender a agenda das manifestações e quais personagens estavam mais associados a ela. Segundo a análise, 40% dos tuítes faziam referência ao impeachment da presidente Dilma Rousseff. Nos cinco temas mais citados, apareceram também corrupção (4%), a CPI da Petrobras (2,2%) e golpe militar (menos de 1%). Isso mostra que, se as redes sociais potencializam a emoção dos usuários, foi o sentimento antipetista que encheu as ruas no dia 15.
    >> O novo ativista digital

    Sem pesquisas oficiais como a feita pelo Twitter e pelo Ibope, os organizadores das manifestações de 15 de março entenderam a mudança de comportamento do público. Mesmo com ideologias e estilos bem diferentes, eles atuam de forma muito parecida nas múltiplas plataformas virtuais. Em primeiro lugar, eles se estruturaram para atender a vontade dos brasileiros de extravasar suas opiniões e sua indignação. Todos os movimentos postaram vídeos, imagens e mensagens dos seguidores – inclusive das reações de repúdio aos discursos da presidente Dilma Rousseff. Assim, o número de curtidas e compartilhamentos aumentou exponencialmente. Eles também se organizaram internamente para chegar ao maior número de pessoas. O Movimento Vem pra Rua tem 30 organizadores e 20 líderes regionais voluntários. Eles elegem o material que terá maior propagação nas redes e os temas que precisam de esclarecimentos pontuais. As manifestações podem ser espontâneas e ter coordenadores pulverizados – mas esses coordenadores usam de estratégia em seu trabalho.
     
    SEGUNDO CAPÍTULO Protestos em São Paulo em  15 de março.  O sentimento antipetista uniu os manifestantes (Foto:  Filipe Redondo/ÉPOCA)
    Marcello Reis, do Revoltados On Line, diz passar 18 horas por dia conectado. Parte desse tempo é usada para escolher os administradores da página (20 no total), que podem publicar conteúdo sem restrição, e os 150 colaboradores, responsáveis pela interlocução com a imprensa nacional e estrangeira, entre outras atividades. No processo de seleção dos colaboradores, Reis acompanha, por 90 dias, o perfil do usuário, sem avisá-lo. Se aprovado, ele convida o potencial colaborador para uma conversa on-line. O trabalho, diz Reis, garante a audiência. A página do Revoltados no Facebook teve mais de 41 milhões de visualizações desde a criação, em agosto de 2010.
    Ao longo da história, as ruas  se consolidaram como um palco privilegiado das manifestações políticas. Isso vale para a Revolução Francesa e para os protestos de maio de 1968 – e, no Brasil, para demonstrações como a campanha das Diretas Já ou o movimento que pediu o impeachment de Fernando Collor em 1991. A diferença é que agora entrou em ação uma ferramenta tecnológica poderosa, com capacidade de dar voz e poder de influência a qualquer pessoa com um smartphone na mão. Com essa tecnologia, as ruas – e os cidadãos nelas – ganharam poder de influenciar a agenda política. Um exemplo da influência dos novos movimentos gerados pelas redes sociais se vê nos Estados Unidos. O movimento OcupemWall Street surgiu em reação às consequências da crise do mercado financeiro desencadeada pela quebra do Lehman Brothers, em 2008. O movimento – cujo slogan, criado por publicitários, era “Somos os 99%” – eclodiu em Nova York em setembro de 2011. E colocou definitivamente o tema da desigualdade na agenda política americana. Nas democracias, como diz o pensador espanhol Manuel Castells, a dinâmica da política será cada vez mais essa. As ruas influenciarão mais e mais a agenda – mas continuará cabendo aos partidos políticos, às instituições, como o Congresso Nacional, e aos governos eleitos adaptarem-se à nova realidade e encaminhar as respostas e as soluções para os gritos que vêm das redes.

    'Sem reformas, Brasil será sempre o país do futuro'

    O comentarista-chefe de Economia do 'Financial Times' afirma que não há segredo na receita para a recuperação econômica: corte de gastos e realização imediata de reformas estruturais

    Por: Naiara Infante Bertão - Atualizado em 
    Martin Wolf, comentarista-chefe de Economia do Financial Times
    Martin Wolf, comentarista-chefe de Economia do Financial Times(Jolanda Flubacher/World Economic Forum/Divulgação)
    O Brasil é a sétima economia do mundo e se movimenta tão rápido quanto um mastodonte: não consegue avançar com a rapidez necessária para dar um grande salto de desenvolvimento. A avaliação é do economista britânico Martin Wolf, comentarista-chefe do Financial Times e atento observador da economia brasileira. Segundo Wolf, o quadro de estagnação da economia brasileira só vai mudar se o país conseguir melhorar consideravelmente sua taxa de poupança e investimentos.
    Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Brasil cresceu apenas 0,1% no ano passado. Se em 2014 o país escapou da contração econômica por causa da mudança de metodologia no cálculo do PIB, em 2015, será difícil reverter o número vermelho. Expectivas de economistas consultados pelo Banco Central (BC) para o relatório Focus mostram contração de aproximadamente 0,87% no ano. "Essa situação é muito improvável de ser mudada em breve, especialmente ciclicamente. Se isso o faz permanentemente o país do futuro, então ele continuará assim", afirma o economista. Leia trechos da conversa.
    A crise econômica brasileira deve perdurar no longo prazo?
    Não está muito claro se o Brasil, de fato, passa por uma crise. A meu ver, parece mais que o país está vivendo no período baixo de um longo ciclo econômico que deve levar ainda um tempo. De 2000 a 2014 o Brasil cresceu, em média, aproximadamente 3% ao ano. Ao que parece, essa é a taxa de crescimento potencial do país sob as atuais políticas e estruturas econômicas. De qualquer forma, eu não vejo como o Brasil poderia ter um forte crescimento no ano que vem, dada a situação fiscal e a desaceleração da economia da China. É preciso entender que o Brasil é uma economia grande e de baixo crescimento, com baixíssimas taxas de poupança nacional e investimento doméstico. Essa situação é muito improvável de mudar logo, especialmente ciclicamente. Se isso o faz permanentemente o país do futuro, então ele continuará assim.
    boom de crescimento baseado em consumo foi uma ilusão?
    De certa forma, sim. Houve um otimismo excessivo. A expectativas eram excessivas e as pessoas interpretaram um ciclo de bonança como uma tendência. Acho difícil que o Brasil volte a despertar esse tipo de euforia. Mas não se pode exagerar também. O Brasil é atraente para investidores estrangeiros por seu tamanho, dado o grande mercado consumidor e de fontes naturais. O que o Brasil precisa é de maiores investimentos e poupança. Esta é a necessidade há muito tempo. O melhor estímulo vem do maior investimento, não do consumo.
    A solução do problema fiscal ainda em 2015 não é descartada pelo governo. O que o senhor acha disso?
    Eu não sei se a presidente conseguirá fazer o que é preciso. Eu não posso dizer que eu acho que o Brasil vive um sério problema fiscal porque os níveis de dívida líquida pública são modestos em comparação ao Produto Interno Bruto e o déficit fiscal não aparenta ser tão grande também. Não obstante, um país com uma taxa de poupança privada tão baixa precisa de uma posição fiscal mais forte. O maior problema do setor fiscal, contudo, é que os gastos do governo tem uma participação muito alta no resultado do PIB para um país com esse nível de desenvolvimento.
    LEIA MAIS:
    O governo brasileiro tem usado como desculpa a crise internacional para justificar a crise econômica brasileira. O senhor concorda com essa avaliação?
    Acredito que a fonte das dificuldades que o Brasil enfrenta é predominantemente doméstica. O Brasil sentiu muito menos os efeitos da crise internacional por causa do boom das commodities. O problema é que os benefícios desse boom foram desperdiçados.
    O México é comparado ao Brasil em muitos aspectos. Você acha que isto é porque os investidores confiam mais no governo mexicano ou nos números de sua economia?
    O México é visto como um país que fez reformas estruturais importantes nos últimos anos, enquanto o Brasil, não. Contudo, os dois não são muito diferentes, apesar dos contrastes óbvios na estrutura e direção do seu comércio. Ambos precisam melhorar bastante a governança e aumentar a poupança e a taxa de investimentos. Mas o Brasil precisa de reformas estruturais em sua economia também - o que o México já tem tentado fazer recentemente.
    Leia ainda:

    Lá no posto Petrobrás! (Charge)

     foto de Fernando Francischini. facebook

    Eduardo Cunha:‘A gente finge que está (no governo). E eles também’

    Presidente da Câmara admite que a relação de seu partido, o PMDB, com o PT e o governo Dilma é muito ruim

    POR 

    Eduardo Cunha dá entrevista na residência oficial da Câmara: “Tenho que me comportar como poder independente” - Jorge William / Agência O Globo
    BRASÍLIA - O presidente da Câmara, Eduardo Cunha, tinha ido dormir às 3h da madrugada. Às 8h de quarta-feira, estava de pé na porta da residência oficial para receber O GLOBO. Meia hora antes, na sala decorada com porta-retratos com imagens das quatro filhas, do filho e da mulher, já havia se reunido com o deputado Hugo Motta (PMDB-PB), indicado por ele para presidir a CPI da Petrobras.
    Pediu ao garçom uma vitamina, pôs no prato uma fatia de melão — que ficou praticamente intocada —, e passou a discorrer com acidez sobre erros da presidente Dilma Rousseff, mostrando-se bem à vontade na condição de “bicho-papão” do governo e do PT. Fez um resumo da relação do partido dele, o PMDB, com o governo: “Na prática, a gente finge que está lá (no governo). E eles fingem também (que o PMDB está no governo).”
    Cunha afirma que seu poder vem do cargo que ocupa e da percepção de que, para chegar ali, ele derrotou o governo e a oposição. Diz achar que Dilma se cercou de pessoas fracas, mas nega que ele e o presidente do Senado, Renan Calheiros tenham tomado o comando do país.
    O senhor defende a redução pela metade dos ministérios. É declaração de guerra ao Planalto?
    Eu não estou fazendo crise! Os ministros (do PMDB) não têm ministério (relevante). Sempre foi assim. Na prática, a gente finge que está lá (no governo). E eles fingem também (que o PMDB está no governo).
    O PMDB tem dito que não quer mais cargos no governo. É real?
    Ninguém quer. Para quê? Você acaba apadrinhando, tem que ser tudo técnico, né? Só que é ladrão técnico, não é ladrão político. Eu conheço ladrões técnicos, muitos ficam buscando os políticos, e muitos (políticos) são inocentes e apoiam. Alguns, eventualmente, podem até ter motivos escusos, não vou dizer que só tem santo. Mas, com certeza, esse ladrão não diz para ele o que está fazendo. Fica um monte de pilantra circulando os políticos, pedindo apoio. Para ficar livre do cara, você diz que apoia. E os caras são ladrões, que querem ter apoio para roubar.
    A oposição diz que, na prática, quem está governando é o PMDB, e não Dilma...
    Quem tem a caneta? É ela. Quem edita medidas provisórias? É ela. Quem libera o Orçamento? É ela. Quem nomeia e indica a cargo? É ela. Então, é ela quem governa. A devolução da MP 669, do ajuste fiscal, pelo Renan, foi um gesto político. Tanto que o governo revogou a MP, para poder mandar o projeto de lei.
    O senhor diria que governo está em colapso político e gerencial?
    Não diria que ele está em colapso gerencial. Eu diria que ele está em uma inércia de comunicação. Ele pode até estar gerenciando, mas não comunica o que está fazendo. Eu acho que o governo passa a sensação de estar parado. Ou de não ter o que fazer. A Petrobras foi responsável por 1% do PIB de perda este ano. A Petrobras está parada. O Comperj mandou 19 mil embora. Tem gente na rua pedindo esmola lá (em Itaboraí, RJ). Foi embora a perspectiva de o Rio produzir 85% do petróleo do país, e hoje não refina nem 10%, de poder agregar renda, desenvolvimento. E o processo econômico do Rio é dependente do petróleo. Então, o meu estado está em situação complicadíssima. A gente vê essa paralisia em vários lugares. Ela (Dilma) tem que responder a essa paralisia com ação.
    Dilma está conseguindo governar?
    Não acho que ela esteja parada. Acho é que está todo mundo no meio de uma crise política que não acaba.

    De onde veio a crise?
    Essa eleição foi muito diferente das outras três eleições do PT. Eles não tiveram hegemonia eleitoral, mas uma vitória apertada. E não entenderam esse processo. A crise começou no dia em que a presidente ganhou a eleição. Ela não disse o que ia fazer com o país. Isso foi gerando a crise política. Ficou claro e nítido que eles estavam fazendo uma opção de enfraquecer a todos nós.
    A presidente não soube manter a base política construída por Lula?
    Ela tinha a estrutura e não precisava implodi-la. A leitura que foi feita quando veio aquela operação Tabajara, do Kassab (Gilberto Kassab, ministro das Cidades, que patrocina a criação do PL, visto pelo PMDB como uma tentativa de diluir seu poder), que não podia dar certo. Porque não ia achar uma turma de pessoas experientes da política que assistisse isso acontecer. Eu ouvi uma frase ótima outro dia: “Dá 60 deputados para o Kassab para ver se ele não ia ficar igual”. Kassab virou formador de partido.
    Formador de partido para barganhar com o governo?
    Eu não quero acusar o Kassab. Foi a opção que ele fez e, se deram corda para ele, quem deu a corda é que está errado. Cada um propõe o que quiser. Quem aceita, ou não, é o outro.
    Isso influenciou a crise política?
    No dia da eleição, ela (Dilma) foi erraticamente discutir reforma política com plebiscito, e optou por esse caminho de formar um partido falso, inexequível. E isso jamais ia ter sustentação política. Ele (Kassab) foi ajudado por todo mundo para fazer aquele partido.
    Foi uma tentativa de a presidente ficar mais independente de Lula e do PT?
    Eu acho que não foi contra o Lula. Foi contra a gente mesmo, contra o PMDB.
    Mas o PMDB já estava independente na Câmara antes de começar a formação desse novo partido...
    Mas a independência do PMDB na Câmara foi por outro movimento errado dela. Ali juntaram dois problemas. Do período eleitoral em que o PT queria a hegemonia e não abria mão. O resultado é que Lindbergh Farias acabou em quarto lugar no Rio. Ao mesmo tempo, aquela reforma ministerial da desincompatibilização (substituição dos ministros que deixaram os cargos para se candidatar em 2014), usar aquilo para acerto eleitoral do PT? Reagimos e ficamos independentes.
    Essa ação para afastar o PMDB partiu da presidente ou do PT?
    Não sei se foi estratégia do círculo dela. Quando você escolhe as pessoas para fazer parte do seu círculo de intimidade, naturalmente escolhe em qual linha atuar. Pepe Vargas e Miguel Rossetto (ministros da articulação política) não estão no padrão de um processo desse tamanho. Você deve colocar pessoas do mesmo tamanho que você ou maiores. É erro de formação de equipe.
    Mercadante tem comando?
    Eu não convivo naquela intimidade para saber. Ricardo Berzoini (Comunicações) tem uma doutrina ideológica forte, é patrocinador da regulamentação da mídia, da radicalização dos atos políticos e continua no núcleo do processo. Jaques Wagner (Defesa) pode não estar com poder, mas está no bojo da articulação. É mais maleável.
    A articulação precisa de alguém que tenha coragem de enfrentar a presidente e dizer onde está errando?
    É preciso ter uma articulação que busque a integração de todos e não deixar prevalecer um ponto de vista. Dilma saiu da máquina. É a primeira presidente da República que não foi parlamentar. Ela não conhece o Congresso.
    É hora de pôr alguém de fora do PT?
    O problema não é ser ou não do PT, mas de comportamento. Briguei com o (deputado) Henrique Fontana durante a minha campanha, porque não pode o líder do governo dar uma coletiva contra mim, líder do PMDB. Eles, às vezes, misturam muito o papel de PT com governo.
    O senhor já pensou em assumir a Presidência da República?
    Essa pergunta você sabe que não vou responder, não vou cair nessa (risos).
    Basta que duas pessoas viajem para o senhor assumir a Presidência.
    Para quê? Para ficar lá cinco minutos e só? Vou usar a caneta para quê? Se o Cid (Gomes) ainda fosse ministro, eu podia demitir o Cid. Mas não vou poder nem demitir o Cid.
    O senhor é oposição ou governo?
    Nesse momento, sou o presidente da Câmara. Não posso me comportar nem como oposição, nem como governo. Tenho que me comportar como poder independente. Preguei na minha campanha que ia ser independente, não ia ser submisso, e que daria governabilidade. Vou cumprir o meu programa.
    O senhor divide opiniões. O senhor é anjo ou demônio?
    Eu sou o Eduardo Cunha (risos). Não sou nem anjo, nem demônio. Sou coerente com o que falo.
    Controla a CPI e impediu a convocação de Fernando Baiano (apontado como operador do PMDB na Petrobras), como dizem seus adversários?
    Não é verdade. Quem controla uma CPI? Por mim, pode convocar quem quiser. O que houve foi a conscientização de não trazer pessoas presas para cá. O caso do Renato Duque é diferente, porque ele ainda não estava preso quando o convocaram.
    O senhor está tranquilo quanto às acusações dos delatores?
    Absolutamente tranquilo. (Meu advogado) falou que o (doleiro) Youssef fala que não me conhece. Que não tem absolutamente nada contra mim. Forçaram a barra do Youssef perguntando de mim, aí ele fala que ouviu do Júlio Camargo. Ele não me acusa de nada. Diz que não me conhece, não sabe nada de mim.
    Mas seu nome foi incluído.
    A partir de agora, estou em guerra aberta com o (procurador-geral da República, Rodrigo) Janot. Tudo é possível. Vamos ver até que nível que vai. Ele me escolheu. Está muito claro.
    É o maior escândalo do país?
    Além de ser inacreditável, foi o maior escândalo de corrupção do mundo. O que mais me incomoda é a gente olhar que tem um escândalo desse tamanho e achar que todo mundo está igual. É a percepção que passa quando abre um inquérito para um e para o outro que não roubou.
    O senhor acusou o governo de atuar para te incriminar...
    Eu já disse que tinha a mão do governo. Já acusei claramente.
    O Congresso atual é conservador?
    Ele é! O Congresso é conservador na sua maioria porque a sociedade é conservadora em sua maioria.
    Eduardo Cunha é conservador?
    Sou um político de centro, que acredita no mercado. Busco essa linha. E sou conservador de costumes sim. Defendo a tese da vida e da família. Aborto, todo mundo é contra. A questão não é só evangélica. É católica. Cristãos que defendem a vida.


    Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/brasil/eduardo-cunhaa-gente-finge-que-esta-no-governo-eles-tambem-15726084#ixzz3VmpOP03i 
    © 1996 - 2015. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A. Este material não pode ser publicado, transmitido por broadcast, reescrito ou redistribuído sem autorização. 

    Reportagens

    Loading...
    Loading...
    Loading...

    Arquivo do blog